Qual a relação entre amigdalite e problemas do coração?

Alguns casos de amigdalite estão associados à infecção pela bactéria Streptococcus pyogenes, também conhecida como “Streptococcus beta-hemolítico do grupo A”. Esta infecção, quando não tratada, pode estar associada ao desenvolvimento da Febre Reumática.
A Febre Reumática (FR), por sua vez, é uma síndrome clínica caracterizada por lesões inflamatórias não supurativas do coração (cardite), articulações (artrite), sistema nervoso central, pele e tecido celular subcutâneo. Entre suas principais manifestações clínicas, estão:

  • febre;
  • sinais e sintomas resultantes da cardite (inflamação do coração) como dispnéia, sopro e arritmias;
  • artrite (inflamação das articulações) de várias articulações;
  • coréia (movimentos involuntários resultantes da inflamação no sistema nervoso);
  • nódulos subcutâneos;
  • eritema marginado (tipo de lesão de pele avermelhada com centro mais claro).

A FR mais comumente se desenvolve em indivíduos de 5 a 15 anos de idade, cerca de 1 a 5 semanas após infecção pelo S. pyogenes. Embora a maior parte dos casos diagnosticados de FR tenha história clínica de infecção de garganta (amigdalite) prévia, cerca de 1/3 tiveram a infecção sem apresentar sintomatologia. A principal maneira de prevenir novos casos de FR é através do tratamento precoce dos casos de Amigdalite por S. pyogenes. Por este motivo é recomendável que todo paciente com dor de garganta importante seja avaliado por médico para averiguar a necessidade da introdução de antibioticoterapia apropriada quando for o caso. Penicilina Benzatina intra-muscular ou outros tipos de penicilinas por via oral são os mais usados e efetivos para este fim. Importante ressaltar que somente 10-15% dos casos de amigdalite são causados por S. pyogenes e que, mesmo entre estes, nem todos desenvolverão FR.
Conclui-se que a associação entre amigdalite e cardiopatia pode se dar através do desenvolvimento de FR em pacientes com amigdalite bacteriana por S. pyogenes.