Qual é a conduta para o teste do pezinho com resultado inconclusivo?

É provável que no próprio resultado do exame atual liberado como “inconclusivo” (quando não é possível definir o padrão da hemoglobina, indicando uma provável hemoglobina rara), conste a orientação do laboratório sobre a conduta a ser seguida, pois, habitualmente, os recém-nascidos com exame alterado são reconvocados para novos exames e avaliação clínica para confirmação diagnóstica. Permanecendo a dúvida da conduta a ser tomada (pela inexistência desta informação no resultado do teste), o setor responsável na Secretaria de Saúde deverá ser consultado.

A coleta da triagem neonatal biológica ou “teste do pezinho” realizada após o período neonatal é uma exceção que pode ser realizada a depender da situação. Condições excepcionais que justificam a coleta após 28 dias incluem nova coleta por primeiro resultado “inconclusivo”, dificuldades de acesso de algumas aldeias indígenas e populações de campo e da floresta, bem como questões culturais e casos de negligência. Vale ressaltar que caso haja suspeita de Fibrose Cística, a criança deve ser encaminhada para avaliação médica, pois a triagem para esta doença, através da análise dos níveis da tripsina imunorreativa (IRT) não é confiável após 30 dias de vida, devido a possibilidade de apresentar resultado falso negativo.

Esta também é uma oportunidade para rever o fluxo estabelecido entre a unidade que realiza a coleta do exame, a entrega do resultado e a unidade onde o profissional atua.

Bibliografia Selecionada

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Triagem neonatal biológica: manual técnico – Brasília: Ministério da Saúde, 2016:80p. [acesso em 03 mar 2020] Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/triagem_neonatal_biologica_manual_tecnico.pdf 2. Programa Nacional de Triagem Neonatal do Estado da Bahia. Serviço de Referência em Triagem Neonatal. Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Salvador. Manual de Práticas do Programa de Triagem Neonatal na Bahia. 2.ed. Salvador: APAE Salvador, 2010:66p. [acesso em 03 mar 2020] Disponível em: http://www.apaesalvador.org.br/media/1385/manual-da-triagem-neonatal.pdf 3. Duncan BB, Schimdt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial. (Ed.). Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013 4. Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre, Artmed, 2019. 5. Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria. 4ª. Ed- Barueri, SP: Manole, 2017