História de febre reumática na infância determina alguma conduta específica no pré-natal?

É fundamental o seguimento da gestante de alto risco com avaliações regulares e serviço de cardiologia, que irá avaliar o grau de comprometimento cardíaco e definir o tratamento. Cabe ao profissional da atenção básica, realizar a coordenação do cuidado e dar suporte às necessidades dessa gestante.

A doença reumática é a principal causa de cardiopatias em mulheres em idade fértil, é responsável por 80% das cardiopatias na gestação. A febre reumática pode causar desde deformidade em válvulas cardíacas (insuficiência ou estenose) até insuficiência cardíaca congestiva. No Brasil, a incidência de cardiopatia na gestação é de 4,2%.(1) Na gravidez ocorre aumento do volume do sangue circulante, diminuição da resistência vascular periférica e diminuição da pressão sanguínea. Por volta da 24ª semana de gestação essas alterações hemodinâmicas estão no auge, promovendo como resposta adaptativa aumento das câmaras cardíacas e aumento do volume sistólico. O comprometimento de maior frequência da cardiopatia reumática é a estenose mitral, inicialmente assintomática, sendo que ao redor da 24ª semana de gestação pode desencadear hipertensão veno-capilar pulmonar e edema pulmonar. O risco materno e fetal está relacionado com a severidade da lesão valvar, classe funcional, função ventricular esquerda e pressão na artéria pulmonar. Os riscos são maiores nas lesões valvares com estenose.(2,3)