Qual o esquema terapêutico para crianças menores de 30 kg com diagnóstico de hanseníase?

O esquema terapêutico para crianças com diagnóstico de hanseníase, considera o peso corporal como fator mais importante do que a idade (1) e a dose dos medicamentos do esquema padrão é ajustada de acordo com a idade e o peso(2).

Esquema terapêutico para crianças menores de 30 kg (1): screenshot-portalarquivos.saude.gov.br-2017-10-19-16-48-09-405 Fonte: Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação – CGHDE/DEVIT/SVS/MS A hanseníase pode acometer todas as faixas etárias, contudo a redução de casos em menores de 15 anos é prioridade do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (PNCH) da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, pois quando a doença se manifesta na infância, especialmente na faixa etária de zero a cinco anos, indica alta endemicidade, carência de informações sobre a doença nessa faixa etária e falta de ações efetivas de educação em saúde (3). Segundo a OMS, em 2015 foram registrados 210.758 novos casos de hanseníase no mundo. O Brasil encontra-se em segundo lugar em relação aos números de casos novos detectados no ranking mundial, com 26.395 registros, dos quais 7,35% foram em menores de 15 anos (4,5). A força da morbidade, magnitude e tendência da endemia expressa na população infantil é considerada o principal indicador de monitoramento do agravo, pois sugere intensa circulação do Mycobacterium leprae, transmissão ativa e recente, além de presença de casos índices ainda não identificados e não assistidos pelo sistema de saúde (4). O contato de indivíduos com a hanseníase na forma bacilífera é considerado a principal fonte de transmissão da doença, principalmente no espaço domiciliar. Em países endêmicos, a população infantil, em geral, entra em contato precocemente com um doente bacilífero. Como o risco de um sujeito saudável desenvolver hanseníase aumenta em nove vezes quando um membro da família é afetado, preconiza-se a realização do exame de contatos intradomiciliares de todos os casos novos diagnosticados (4). Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige exame criterioso, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Em um estudo feito na Indonésia com crianças que apresentavam deficiência de Vitamina A foi observado uma diminuição da produção do IF-y ex vivo, citocina responsável por exercer funções críticas na imunidade inata e adquirida do tipo Th1, essa de grande importância para o controle da hanseníase (6). Quando disponíveis, os exames laboratoriais complementares como hemograma, TGO, TGP e creatinina devem ser solicitados no início do tratamento, episódios reacionais e efeitos adversos a medicamentos no seguimento dos doentes. A análise dos resultados desses exames não deve retardar o início da PQT, exceto nos casos em que a avaliação clínica sugerir doenças que contraindiquem o início do tratamento (1). Atributos da APS Acesso/integralidade/longitudinalidade: A equipe da Atenção Primária a Saúde, deve informar que os contatos familiares recentes ou antigos de pacientes MB e PB devem ser examinados, independente do tempo de convívio. Sugere-se avaliar anualmente, durante cinco anos, todos os contatos não doentes, quer sejam familiares ou sociais. Após esse período os contatos devem ser liberados da vigilância, devendo, entretanto, serem esclarecidos quanto à possibilidade de aparecimento, no futuro, de sinais e sintomas sugestivos da hanseníase (1). Contudo sendo de suma importância, os profissionais dos serviços de saúde quanto à gestão, realizar o planejamento, uniformização, monitoramento e avaliação no que se refere ao acolhimento, diagnóstico, tratamento e cura, prevenção de incapacidades e organização do serviço (7).