Qual o papel da pesquisa de BAAR no escarro para o diagnóstico de tuberculose? Como proceder com pacientes com forte suspeita clínica, mas BAAR negativo?

A pesquisa bacteriológica é o método prioritário, quer para o diagnóstico, quer para o controle do tratamento da tuberculose (TB), além de permitir a identificação da principal fonte de transmissão da infecção: o paciente bacilífero. E, um melhor rendimento diagnóstico está associado aos cuidados com a coleta, especialmente a qualidade e o volume. (1)
A sensibilidade da pesquisa de BAAR no escarro com amostras sucessivas é de 83,4% na primeira amostra, com acréscimo de 12,2% na segunda e 4,4% na terceira.
A especificidade desse exame depende da prevalência das micobactérias não tuberculosas na região, além da qualificação técnica do laboratório local – no Brasil ela é de cerca de 98%.
Para o diagnóstico de tuberculose pulmonar escarro-negativo, a técnica de indução de escarro com nebulização ultra-sônica com solução salina hipertônica a 3% se revela procedimento com melhor relação de custo-benefício. Seu uso é recomendado antes de estudos invasivos, como a fibro-broncoscopia, e deve ser associado sempre com a baciloscopia e com a cultura de micobactérias.
Especial atenção deve ser dada às normas de biossegurança do Ministério de Saúde para a coleta desse material.
Um estudo prospectivo em 551 pacientes sob suspeita de TB pulmonar com baciloscopia negativa na amostra respiratória, atendidos em nível ambulatorial na cidade do Rio de Janeiro, desenvolveu um modelo preditor de diagnóstico de TB. (2)
Como resultado, sugeriu-se o uso de um escore clínico-radiológico com as seguintes variáveis e pontuação:
a) imagem típica no RX de tórax: +2 pontos;
b) presença de escarro espontâneo: -1 ponto;
c) perda de peso (maior de 15% do habitual): +1 ponto;
d) idade inferior a 60 anos: +2 pontos.
A partir do escore total, foram propostas três estratificações, com as respectivas condutas:

  • Menor ou igual a 0 – baixa probabilidade de TB não-bacilífera – seguimento na atenção primária, com observação e re-investigação por 3 meses (tempo geralmente suficiente para a evolução de marcadores clínico-radiológicos de TB)
  • De 1 a 4 – probabilidade intermediária de TB não-bacilífera – necessidade de investigação diagnóstica em unidade terciária;
  • Maior ou igual a 5 – alta probabilidade de TB não-bacilífera – início de tratamento empírico para TB, com seguimento na atenção primária.

 

Bibliografia Selecionada

  1. II Consenso Brasileiro de Tuberculose. Diretrizes Brasileiras para Tuberculose 2004. J bras pneumol [Internet]. 2004 [citado 2010 Jan 13];30(Supl 1):S4-5. Disponível em: http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/Suple_116_15_1capitulo%201.pdf Acesso em: 12 mai 2010.
  2. Mello et al. Predicting smear negative pulmonary tuberculosis with classification trees and logistic regression: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2006 Feb 23;6:43.