Qual o protocolo para o tratamento da halitose?

Independentemente do tipo de halitose diagnosticada, é primordial conscientizar e orientar o paciente sobre uma correta higienização diária dos dentes e da língua (escovação, uso de fio dental e uso do limpador de língua), a fim de eliminar e evitar continuamente qualquer acúmulo do biofilme intrabucal, o que já contribui para parte do sucesso do tratamento(1-3).

Caso o paciente apresente patologias bucais, o dentista precisa realizar tratamentos odontológicos. Faz-se necessário tratar doença periodontal, realizar restaurações diretas e indiretas, extrações e tratamento endodôntico(1-3). O paciente deve ser conscientizado de sua condição e motivá-lo a melhorar sua saúde bucal(1).
Após a realização dos tratamentos odontológicos necessários, se a halitose persistir, o dentista deverá encaminhar o paciente para equipe multidisciplinar, como médico, nutricionista, otorrinolaringologista, gastroenterologista ou psicólogo(1-3).

A halitose é uma alteração do hálito, podendo acontecer em todas as idades, nos mais variados graus de complexidade. Apresenta etiologia multifatorial, necessitando de diagnóstico preciso e elaboração do plano de tratamento multidisciplinar capaz de promover a melhoria das relações biopsicossociais em pacientes com mau hálito. É necessário desmistificar o assunto junto à sociedade esclarecendo que a halitose tem cura e que a cooperação do paciente é fundamental para o sucesso do tratamento(4). Existem muitas causas da halitose e a maioria delas está relacionada com a cavidade oral, outras estão relacionadas com doenças otorrinolaringológicas e respiratórias. Doenças gastrointestinais, alterações das funções renais e hepáticas e outras síndromes metabólicas são causas menos frequentes, porém importantes de halitose(5). Para o tratamento da halitose, o dentista precisa diagnosticar o tipo de halitose e sua causa, considerando que 80% a 90% dos fatores etiológicos da halitose encontram-se na cavidade bucal. A halitose é considerada uma condição multifatorial e multidisciplinar, e requer avaliações e tratamentos multidisciplinares e comunicação entre os profissionais das diversas áreas da saúde. Em todos os casos o acompanhamento pelo dentista é imprescindível(1). Recomendações para o tratamento da halitose sob as condições encontradas na prática da clínica geral - Tratamento necessário (TN):(3,6) TN1 – Esclarecimentos sobre a halitose e orientações para higiene oral, incluindo limpeza da língua e utilização de meios complementares, como o colutório. TN2 – Profilaxia profissional e tratamento de condições patológicas orais, se presentes (periodontite). TN3 – Encaminhamento para um médico, especialista ou grupo multidisciplinar. TN4 – Esclarecimento dos dados do exame, orientação profissional, educação e reforço. TN5 – Encaminhamento ao psicólogo, psiquiatra ou outro especialista da psicologia. O dentista é o profissional que mais tem familiaridade com a boca, portanto é importante que ele seja o primeiro profissional a avaliar pacientes com halitose, a fim de tratar causas de fatores locais, se existentes(2,4). O sucesso do tratamento da halitose depende da multidisciplinaridade do atendimento, capacidade investigativa do examinador, adequado diagnóstico e habilidade do profissional em motivar o paciente às mudanças de hábitos(4).