Quando se deve repetir endoscopia em pacientes com dispepsia?

Pacientes com dispepsia já investigada com endoscopia podem necessitar de nova endoscopia nas seguintes situações:
– Controle de erradicação de H. pylori em pacientes com úlcera gástrica ou duodenal, pelo menos 4 semanas após o tratamento de erradicação;
– Controle de cicatrização de úlcera gástrica, após 8 a 12 semanas de uso de inibidor de bomba de prótons, nos casos em que houver: suspeita de malignidade (pacientes acima de 50 anos, presença de H. pylori, história familiar de câncer gástrico, impressão de malignidade na endoscopia inicial); etiologia da úlcera não esclarecida; biópsias não realizadas na endoscopia inicial ou sintomas persistentes;
– Presença de metaplasia e atrofia nas biópsias gástricas, a cada 1 a 3 anos, para rastreamento de neoplasia gástrica.

Não há necessidade de repetição de endoscopia em pacientes com gastrite enantematosa ou erosiva, hérnia hiatal, esofagite leve (grau A ou B) ou duodenite. Em pacientes que mantém sintomas dispépticos (sem sinais de alarme) apesar do tratamento otimizado e investigação endoscópica negativa para úlcera ou neoplasia, sugere-se considerar outros diagnósticos que podem causar sintomas semelhantes, como doença do refluxo gastroesofágico, síndrome do intestino irritável, cólica biliar, gastroparesia diabética ou questões psicossociais que possam ser manejadas adicionalmente.

Bibliografia Selecionada

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