Quantas vezes e em que período gestacional deve-se solicitar ultrassonografia obstétrica?

Não há evidências que apoiem a solicitação de ultrassonografia de rotina durante a gestação(1,2), pois não existe demonstração científica sobre a redução da morbidade e da mortalidade perinatal ou materna(1,2). A realização precoce da ultrassonografia (< de 24 semanas) durante a gravidez pode auxiliar na melhor determinação da idade gestacional, detecção precoce de gestações múltiplas e no diagnóstico de malformações fetais clinicamente não suspeitas(1,2). No entanto, mesmo o benefício da realização da ultrassonografia precoce permanece assunto controverso. Dessa maneira, pode-se dizer que o exame de ultrassom pode ser recomendado como rotina nos locais onde ele esteja disponível para ser realizado no início da gestação, mas a não realização não constitui omissão, nem diminui a qualidade do pré-natal(3).

- Ultrassonografia precoce (< de 24 semanas): Considerando-se que 11% a 42% das idades gestacionais estimadas pela data da última menstruação são incorretas, pode-se oferecer à gestante, quando possível, o exame ultrassonográfico, que determina melhor a idade gestacional, auxilia na detecção de gestações múltiplas (inclusive, evidencia o tipo de placentação nestes casos) e de malformações fetais(2). No entanto, alguns autores consideram que o uso da ultrassonografia precoce de rotina na gestação não se justifica em nosso meio, pois não modifica nenhum desfecho clínico importante(5). - Ultrassonografia para translucência nucal (11ª e 13ª semanas): A medida da translucência nucal (TN) associada à idade materna identifica em torno de 75% dos casos de trissomia do cromossomo 21. No entanto, a indicação deste exame deve estar sujeita à disponibilidade local de recursos e ao desejo dos pais de realizar o exame. Deve-se sempre oferecer esclarecimentos sobre as implicações do exame, indicação, limitações, riscos de falso-positivos e falso-negativos(2). Deve-se também ponderar sobre a qualificação da equipe responsável pelo rastreamento, além da necessidade de complementar o exame com pesquisa de cariótipo fetal nos casos de TN aumentada, a implicação psicológica do teste positivo (incluindo falso-positivos) e o impacto no nascimento de portadores da síndrome genética(²). Além disso, a detecção precoce de malformações fetais tem utilidade limitada, pois não modifica a conduta clínica na maioria dos casos e a interrupção provocada da gestação não é permitida na legislação brasileira, tornando ainda mais questionável a solicitação de rotina da investigação da TN(5). - Ultrassonografia morfológica (entre 20ª e 24ª semanas): A realização de ultrassonografia morfológica em gestantes de baixo risco tem gerado controvérsias, pois não existem evidências de que melhore o prognóstico perinatal, apesar de aumentar a taxa de detecção das malformações congênita(2). - Ultrassonografia tardia (após 24 semanas): Revisão sistemática disponibilizada pela biblioteca Cochrane sugere que não há benefícios da ultrassonografia de rotina em gestações de baixo risco após a 24ª semana de gravidez(4). SOF Relacionada: Qual a quantidade mínima e máxima de ecografias obstétricas durante a gestação? Há relação entre o número de ultrassonografias e prematuridade, malformações ou déficits cognitivos nas crianças?