Que exames devem ser solicitados no acompanhamento do pré-natal de baixo risco?

A Organização Mundial da Saúde, em uma série de recomendações baseadas em revisão sistemática de estudos controlados e da aplicação dos conceitos da Medicina Baseada em Evidências, aponta que “o cuidado na gestação e no parto normais deve não ser medicalizado, o que significa que o cuidado fundamental deve ser previsto utilizando um conjunto mínimo de intervenções que sejam realmente necessárias (1).
Segundo o Ministério da Saúde, os exames laboratoriais abaixo devem ser solicitados de rotina no pré-natal de baixo risco para todas as gestantes, não fazendo distinção em suas recomendações entre a gestante atendida no setor público ou privado (1):

  • Tipagem sanguínea: Solicitar na primeira consulta. Quando o pai é Rh positivo e a mãe é Rh-negativo, deve-se solicitar Coombs indireto na primeira consulta e mensalmente a partir de 24 semanas. A positivação do teste de Coombs requer manejo em serviço de referência.
  • Hemoglobina e hematócrito (Hb/Ht): na primeira consulta.
  • VDRL: na primeira consulta (repetir no terceiro trimestre).
  • Glicemia de jejum: solicitar na primeira consulta de pré-natal (se normal, repetir na 20ª semana).
  • EQU e urocultura: solicitar na primeira consulta (repetir na 30ª semana).
  • Anti-HIV: deve ser oferecido na primeira consulta pré-natal (realizar aconselhamento pré e pós-teste). Quando o resultado é negativo e a paciente se enquadra em uma situação de risco (portadora de alguma DST, prática de sexo inseguro, usuária ou parceira de usuário de drogas injetáveis), o exame deve ser repetido no intervalo de três meses.
  • HBsAg: deve ser realizado na primeira consulta para possibilitar a identificação das gestantes soropositivas cujos bebês, logo após o nascimento, podem se beneficiar do emprego profilático de imunoglobulina e vacina específica.
  • Sorologia para toxoplasmose: na primeira consulta, IgM para todas as gestantes e IgG, quando houver disponibilidade para realização.
  • Citopatológico de colo uterino: deve ser colhido, quando não foi realizado durante o ano precedente.
No que diz respeito à ecografia obstétrica de rotina durante a gestação, embora seja procedimento bastante corriqueiro, permanece como assunto controverso. Não existe, ainda, demonstração científica de que esse procedimento, rotineiramente realizado, tenha qualquer efetividade sobre a redução da morbidade e da mortalidade perinatal ou materna. (1,2) Entretanto, existe, sim, evidência científica de que sua realização precocemente durante a gravidez relaciona-se com uma melhor determinação da idade gestacional, detecção precoce de gestações múltiplas e malformações fetais clinicamente não suspeitas. Essa última característica associa-se indiretamente a uma menor mortalidade perinatal específica por malformações fetais nos países onde a interrupção precoce da gravidez é permitida legalmente. Os possíveis benefícios sobre outros resultados permanecem, ainda, incertos. Dessa maneira, pode-se dizer que o exame de ultrassom pode ser recomendado como rotina nos locais onde ele esteja disponível e possa ser realizado no início da gestação. A sua não realização não constitui omissão, nem diminui a qualidade do pré-natal (1). Outra situação completamente distinta é a indicação do exame de ultrassom mais tardiamente na gestação, por alguma indicação específica orientada por suspeita clínica, notadamente como complemento da avaliação da vitalidade do feto ou outras características gestacionais ou fetais (1). Outros exames podem ser acrescidos a esta rotina mínima em algumas situações especiais:
  • Protoparasitológico: solicitado na primeira consulta, sobretudo para mulheres de baixa renda;
  • Bacterioscopia da secreção vaginal: em torno da 30ª semana de gestação, particularmente nas mulheres com antecedentes de prematuridade;
  • Sorologia para rubéola;
  • A investigação sorológica de citomegalovírus está indicada em mulheres que trabalham em berçários e com crianças pequenas ou em adolescentes com múltiplos parceiros ou história de DST (2).
SOF Relacionada: A ultrassonografia precoce de rotina na gestação influencia o diagnóstico de malformações fetais ou de gestações múltiplas, a taxa de intervenções clínicas ou a incidência de efeitos adversos fetais? Disponível em: http://blog.homolog.telessaudebrasil.org.br/?p=19

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2005 [citado 2010 Jun 28]. (Série A. Normas e Manuais Técnicos ; Série Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Caderno No. 5). Disponível em: http://www.ess.ufrj.br/prevencaoviolenciasexual/download/013prenatal.pdf Acesso em: 29 jun 2010.
  2. Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.