Que tipo de fórmula infantil deve ser oferecida para crianças prematuras não amamentadas?

De acordo com Weefort, para os prematuros não amamentados ao seio materno devem ser oferecidas fórmulas lácteas específicas para prematuros até 60 dias de idade corrigida a fim de atender suas necessidades específicas1. Essas fórmulas possuem uma composição diferenciada para oferecer os nutrientes que um bebê prematuro necessita, além de serem modificadas para facilitar a digestão2. Geralmente possuem mais proteínas, gorduras e nutrientes balanceados e adição de ácidos graxos específicos, essenciais para o desenvolvimento cerebral, visual e psicomotor2. Vale lembrar que muitas vezes esse tipo de fórmula é apenas um complemento, já que os especialistas no geral recomendam que o bebê prematuro seja alimentado com leite materno2.

Ainda, de acordo com o Manual de Seguimento Ambulatorial do Prematuro de Risco, da Sociedade Brasileira de Pediatria, fórmulas lácteas para o primeiro semestre (de partida) são alternativas ao aleitamento materno, podendo ser empregadas em conjunto com o mesmo se for necessário (aleitamento misto)3. Nos prematuros com ganho de peso subnormal para idade pós-concepcional ou com displasia broncopulmonar, patologia com necessidade de restrição hídrica, está indicado suplementar com altas ofertas de proteína, minerais e oligo-elementos, além de LC-PUFAS (ácidos graxos de cadeia longa poli-insaturados ômega 3), pelo menos até 52 semanas de idade corrigida3 – a idade corrigida pode ser calculada por meio da seguinte fórmula: idade cronológica em semanas – (40 semanas – idade gestacional em semanas ao nascimento)4. Como nestes casos mais graves o aleitamento materno é mais difícil, pois a longa permanência na UTI Neonatal gera maior nível de estresse e prejudica o pleno aleitamento materno, a al­ternativa é o uso de fórmulas lácteas mais concentradas3.

O Manual recomenda, para aumentar a oferta de proteína, minerais e oligo-elementos e manter a restrição hídrica, preparar uma medida do pó em 25 ml de água fervida, ao invés dos 30 ml recomendados pelo fabricante, o que resulta em densidade calórica 20% maior, obtendo-se com volume de 150 ml/kg/dia a oferta calórica de 120 Kcal/kg/dia3. É importante reforçar para a família que o leite artificial é diferente do leite materno e, por esse motivo, é necessário que a diluição seja realizada de maneira correta para que a criança fique bem alimentada5. O modo de preparo varia segundo a fórmula utilizada e, por isso, é importante prestar atenção nas orientações que constam na embalagem do produto5. A colher que vem na lata serve para medir a quantidade de fórmula que deverá ser preparada para a criança5.  Além disso, cuidados com a higienização devem ser orientados, assim como deve ser reforçada a necessidade de utilização de água filtrada e/ou fervida, a não ser que seja mineral, para o preparo da fórmula5. Por fim, é importante reforçar que o leite materno é sempre a primeira escolha na alimentação após a alta, contendo altas concentrações de ácido docosahexaenoico (DHA) e estando relacionado com melhor desempenho no neurodesenvolvimento3. Além disso, fornece crescimento harmônico, com ganho de peso adequado nos primeiros anos de vida3. Há evidências que apontam para um efeito anti-infeccioso da lacto­ferrina presente no leite humano5. Portanto, é importante estimular, se possível, que a mãe procure oferecer o leite materno, apoiando-a no sentido de poder amamentar o bebê prematuro.