Tireoide aumentada e nódulos de tireoide podem causar sintomas cervicais?

Existe uma correlação entre o volume da tireoide e o tamanho dos nódulos com sintomas compressivos, mas não existem pontos de corte bem estabelecidos. Apesar disso, é improvável que sintomas cervicais sejam atribuíveis a tireoides com volumes menores que 30 mL, cujo aumento não seja visível ao exame físico ou que não apresentem sinais de compressão traqueal (desvio ou redução do calibre da luz). Nódulos grandes, acima de 3 a 4 cm, e aqueles localizados anteriormente à traqueia podem causar sintomas mesmo em tireoides com volume normal.

O tamanho normal da tireoide varia de acordo com idade, sexo e peso do indivíduo. Mulheres têm tireoides entre 10 e 15 mL e homens entre 12 e 18 mL. Volumes de tireoide maiores que esses são definidos como bócio. Pacientes com bócio sintomático têm volume tireoidiano médio de 75 mL, enquanto indivíduos assintomáticos tem volume médio de 37 mL. Além disso, existe associação entre sintomas compressivos e aumento do volume unilateral de lobo (acima de 40 mL) ou aumento bilateral (acima de 80 mL); entretanto, cerca de 50% das pessoas com aumento de tireoide são assintomáticas. Dentre os pacientes com sintomas compressivos e nódulos maiores de 1,5 cm, 97% têm melhora dos sintomas após cirurgia. É importante ressaltar que essas informações se baseiam em dados de estudos observacionais e retrospectivos e que não existem estudos com delineamento adequado que avaliem a relação entre volume da tireoide e tamanho dos nódulos e sintomas cervicais. Sintomas compressivos cervicais podem ocorrer em diversas patologias benignas e malignas de tireoide (bócio, carcinoma de tireoide, adenoma folicular, tireoidite), podendo variar de intensidade, de leve à moderada (sensação de pressão, globus), à grave (disfagia, dispneia). Disfagia atribuível a aumento tireoidiano é rara, uma vez que a tireoide é anterior à traqueia. Deve-se ressaltar que fatores de risco para malignidade são: crescimento recente, rouquidão (compressão do nervo laríngeo recorrente) e história familiar (primeiro grau) de neoplasia de tireoide.