Uso das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) podem auxiliar no acompanhamento de transtornos mentais leves e moderados?

A utilização das Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Primária à Saúde (APS) para usuários com necessidades em Saúde Mental torna-se ferramenta ou estratégia de cuidado ampliado, ou seja, não atua como substituição ao tratamento farmacológico ou ao tratamento psiquiátrico e psicoterápico. Estudos realizados na APS apresentam melhoras na qualidade de vida dos usuários submetidos às PICS, não somente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas também nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS.

Diferentes tipos de pesquisas apresentaram resultados favoráveis à aplicação das Práticas Integrativas e Complementares para usuários de saúde mental da Rede de Atenção Psicossocial – RAPS. Apesar do potencial desmedicalizante, integral, singular e humanizador da PICS e da sua capacidade de instrumentalizar o atendimento ao sofrimento psíquico, precisa de mais valorização e atuação na assistência à saúde. As PICS são reconhecidas como importantes por potencializar as ações de Saúde Mental desenvolvidas no nível primário de atenção, mas não devem ser as únicas possibilidades de cuidado em Saúde Mental. Assim, é importante reforçar que a sua inserção no cuidado a pessoas com transtornos mentais não altera ou substitui o protocolo de cuidados farmacológicos e/ou psicoterapêuticos.

A realização das Práticas Integrativas e Complementares devem ser devidamente registrados nos instrumentais do Ministério da Saúde na APS, dos quais destacamos a Ficha de Atendimento Individual e a Ficha de Procedimento do eSUS-AB.

Bibliografia Selecionada

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