Exames de toque retal não são confiáveis para o rastreio de câncer de próstata na Atenção Primária

Área Temática

Questão Clínica

Quão confiáveis são os exames retais digitais para o rastreamento do câncer de próstata em ambientes de atenção primária?

Resposta Baseada em Evidência

O exame de toque retal não é recomendado para o rastreamento de câncer de próstata na atenção primária.

Alertas

Revisão Sistemática com metanálise incluiu sete estudos que mediram a eficácia do toque retal na triagem para câncer de próstata no âmbito da APS, incluindo 9.241 pacientes que foram submetidos a toque retal por médicos gerais e, de acordo com os resultados do toque, a uma biópsia subseqüente. Os estudos apresentam um alto risco de viés. A qualidade geral da evidência por eles produzida foi classificada como “muito baixa”.

A partir dos resultados agrupados dos estudos, a sensibilidade do toque retal foi estimada em 0,51 (IC 95%, 0,36-0,67; I2 = 98,4%),  a especificidade foi de 0,59 (IC 95%, 0,41 a 0,76; I2 = 99,4%), o valor preditivo positivo foi  0,41 (IC 95%, 0,31-0,52; I2 = 97,2%), e o valor preditivo negativo de 0,64 (IC 95%, 0,58-0,70; I2 = 95,0%), ou seja, insuficientes para cumprir quaisquer critérios de exames de rastreio, apontados mais abaixo. O Toque Retal é impreciso para rastreamento de câncer de próstata e não fornece informações adicionais no âmbito da Atenção Primária.

Contexto

Os estudos que avaliaram o exame digital retal (toque retal) para rastreamento do câncer de próstata no âmbito da atenção primária foram de baixa qualidade.

Exames de triagem devem ser seguros, baratos, socialmente acessíveis e culturalmente aceitáveis, e devem apresentar tanto sensibilidade quanto especificidade elevadas, quanto valores preditivos positivo e negativo aceitáveis na população a ser triada, além de serem capazes de detectar a doença em um estágio pré-clínico tratável.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

O toque retal vinha sendo cada vez mais desencorajado por questionamentos à sua inespecificidade, embora alguns especialistas focais indicassem PSA e Toque retal para aumentar a sensibilidade e especificidade de ambos.

Como a própria triagem do câncer de próstata passou a ser questionada, devido aos benefícios incertos de sua detecção e tratamento independente do método, o uso do toque retal para rastreio passou a ser ainda menos relevante.

Referências bibliográficas

Naji L, Randhawa H, Sohani Z, et al. Digital rectal examination for prostate cancer screening in primary care: a systematic review and meta-analysis. Ann Fam Med 2018;16(2):149-154. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5847354/