Exercícios são eficazes para tratamento de claudicação intermitente

Área Temática

Questão Clínica

Quão eficazes são os programas de exercícios para aliviar os sintomas e aumentar as distâncias e tempo de caminhadas em pessoas com claudicação intermitente (CI), quando comparados ao placebo e ao tratamento usual (cirurgia, angioplastia ou medicamentosa)?

Resposta Baseada em Evidência

Evidências de alta qualidade mostraram que os programas de exercícios desempenham um importante papel no tratamento da CI em um grupo selecionado de pacientes (com claudicação intermitente sintomática por doença aterosclerótica), melhorando o tempo e a distancia da caminhada livre de dor. A realização de exercícios pode exercer impacto positivo sobre a qualidade de vida quando comparado ao placebo ou ao tratamento usual.

 

Alertas

Apesar destes benefícios funcionais relevantes, não houve diferenças entre os grupos em relação à melhora do Índice tornozelo-braquial (ITB), amputação e mortalidade.

Contexto

Caso demonstrada a efetividade dos programas de exercícios, a terapêutica pode ser adotada na APS, na forma de grupos de sessões de exercícios para pacientes com sintomas desencadeados por essa patologia.  Na avaliação, foram utilizadas as bases de dados da Cochrane para buscar ensaios clínicos randomizados que avaliassem um regime de exercícios vs um grupo controle ou vs a terapia médica usual para CI por doença arterial periférica. Foram incluídos quaisquer programas de exercícios ou tratamento que incluísse caminhar, correr e pular. Nesses estudos, foram observadas as distâncias percorridas na esteira (tempo até início da dor ou distância máxima caminhada sem dor, e tempo ou distância máxima de caminhada), índice tornozelo-braquial (ITB), qualidade de vida, morbidade ou amputação. Ao todo foram analisados 32 estudos com um universo amostral de 1.835 participantes com quadro estável de CI. O período de acompanhamento variou de duas semanas a dois anos (mediana não informada) sendo as sessões realizadas ao menos duas vezes por semana. Foram mostrados nos resultados que os exercícios foram superiores ao controle sem exercícios com uma diferença média de 82,11m, IC95% 71,73 a 92,48, evidência de alta qualidade, na distância máxima livre da dor; 120,63m, IC95% 50,79 a 189,92, evidência de alta qualidade, na distância máxima de caminhada e na qualidade de vida em duas medidas (Escore Físico e Mental Resumidos), com p=0,02 e <0,01, respectivamente. Não foram diferentes na avaliação do Índice Tornozelo/Braquial (Diferença média de 0,04, IC95% 0,00 a 0,08, evidência de moderada qualidade).

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

À luz dessas evidências, a realização de sessões de exercícios guiadas por profissionais é uma opção viável para a melhoria dos sintomas por CI.

Referências bibliográficas

Lane R et al. Exercise for intermittent claudication. Cochrane Reviews, 2017, Issue 12. Art. No.: CD000990.DOI: 10.1002/14651858. CD000990.pub4. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD000990.pub4/full?highlightAbstract=intermitt%7Cclaudic%7Cexercis%7Cfour%7Cintermittent%7Cfor%7Cexercise%7Cclaudication

Outros Estudos

Davies MG, Clement DL, Eidt JF, Mills JL, Creager MA, Collins KA. Management of claudication due to peripheral artery disease. Post TW, ed. UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/management-of-claudication-due-to-peripheral-artery-disease?search=Management%20of%20claudication%20due%20to%20peripheral%20artery%20disease&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1