O e-learning, comparado ao aprendizado tradicional, apresenta benefícios limitados para modificar desfechos de pacientes ou competências profissionais

Área Temática

Questão Clínica

Em comparação com o aprendizado tradicional, qual é a eficácia do aprendizado mediado por tecnologias via internet (e-learning) para profissionais de saúde licenciados para melhorar os desfechos dos pacientes ou o comportamento, as habilidades e os conhecimentos dos profissionais de saúde?

Resposta Baseada em Evidência

Quando comparado ao aprendizado tradicional, o e-learning pode fazer limitada ou nenhuma diferença nos resultados dos pacientes ou nos comportamentos, habilidades ou conhecimentos dos profissionais de saúde. Mesmo que o e-learning pudesse ser mais exitoso que o aprendizado tradicional em ambientes particulares de educação médica, afirmações gerais dele como inerentemente mais eficazes do que o aprendizado tradicional podem não representar a verdade.

Alertas

O e-learning (aprendizado mediado por tecnologias via internet), comparado com a aprendizagem tradicional, apresentou pouca ou nenhuma diferença quanto aos desfechos dos pacientes ou os comportamentos e conhecimentos dos profissionais de saúde, e não se sabia se melhorava ou reduzia as competências dos profissionais de saúde. Mesmo que o e-learning pudesse ter mais sucesso do que o aprendizado tradicional em ambientes particulares de educação médica, afirmações gerais dele como inerentemente mais eficazes do que o aprendizado tradicional podem ser enganosas.
Destaca-se que o aprendizado não é sinônimo de mudança de atitudes ou habilidades profissionais, e que mesmo na vigência destas modificações, mudanças em habilidades profissionais podem não representar alterações em desfechos de pacientes ou possivelmente estas alterações sejam de difícil mensuração.

Contexto

O uso do e-learning, definido como qualquer intervenção educacional mediada por tecnologias via Internet, tem aumentado constantemente entre os profissionais de saúde em todo o mundo. Vários estudos tentaram medir os efeitos do e-learning na prática médica, que tem sido frequentemente associada a grandes efeitos positivos quando comparados a nenhuma intervenção e com pequenos efeitos positivos quando comparados com a aprendizagem tradicional (sem acesso ao e-learning). No entanto, os resultados não são conclusivos.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

Dezesseis ensaios clínicos randomizados envolvendo 5679 profissionais de saúde licenciados (4759 profissionais de saúde mistas, 587 enfermeiros, 300 médicos e 33 consultores de saúde infantil).
Quando comparado com a aprendizagem tradicional em 12 meses de acompanhamento, as evidências de baixo grau sugerem que o e-learning representou pouca ou nenhuma diferença para os seguintes resultados: proporção de pacientes com lipoproteína de baixa densidade (LDL) menor que 100 mg / dl (diferença ajustada 4,0%; intervalo de confiança (IC) de 95% =  0,3 a 7,9; n= 6399 pacientes, 1 estudo) e a proporção com nível de hemoglobina glicada inferior a 8% (diferença ajustada 4,6%, IC 95% = 1,5 a 9,8; 3114 pacientes, 1 estudo).
Em 3 a 12 meses de acompanhamento, evidências de baixo grau indicam que o e-learning pode fazer pouca ou nenhuma diferença nos seguintes comportamentos em profissionais de saúde: triagem para dislipidemia (OR 0,90; IC 95% 0,77 a 1,06; 6027 pacientes, 2 estudos) e tratamento para dislipidemia (OR 1,15; IC 95% 0,89 a 1,48;, 5491 pacientes, 2 estudos). É incerto se o e-learning melhora ou reduz as habilidades dos profissionais de saúde (2912 profissionais de saúde; 6 estudos; evidência de muito baixo grau) e pode fazer pouca ou nenhuma diferença no conhecimento dos profissionais de saúde (3236 participantes; 11 estudos; evidência de baixo grau).
Devido à escassez de estudos e dados, não foi possível explorar diferenças nos efeitos em diferentes subgrupos. Devido à ausência de relatos, não foi possível coletar informações suficientes para concluir uma avaliação significativa de “risco de parcialidade” para a maioria dos critérios de qualidade. O risco de viés foi avaliado como incerto para a maioria dos estudos, mas o maior estudo foi classificado com baixo risco de viés. Dados faltantes representaram uma fonte potencial de viés em vários estudos.

Referências bibliográficas

Vaona A, Banzi R, Kwag KH, Rigon G, Cereda D, Pecoraro V, Tramacere I, Moja L. E-learning for health professionals. Cochrane Database of Systematic Reviews 2018, Issue 1. Art. No.: CD011736. DOI: 10.1002/14651858.CD011736.pub2. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6491176/pdf/CD011736.pdf