O uso de cannabis entre pessoas com doenças reumatológicas ajuda na redução da dor?

Área Temática

Questão Clínica

O uso de cannabis entre pessoas com doenças reumatológicas ajuda na redução da dor?

Resposta Baseada em Evidência

Nesta meta-análise limitada, o uso de cannabis foi relativamente comum (40%) entre pacientes com doenças reumatológicas. Embora os autores relatem que o uso de cannabis foi associado a pequenas reduções na dor ao longo do tempo, esses achados são tendenciosos e precisam ser confirmados com estudos mais rigorosos. (Nível de evidência = 2a)

Alertas

Contexto

Esses autores pesquisaram 2 bancos de dados e a Biblioteca Cochrane para encontrar estudos publicados de qualquer tipo de projeto que avaliasse o uso de cannabis entre pessoas com doenças reumatológicas. Eles também pesquisaram estudos que avaliaram a eficácia da cannabis ao longo do tempo. Em outras palavras, esta não é uma meta-análise típica de ensaios clínicos randomizados e os resultados são mais fracos. Dois autores determinaram quais estudos incluir e resolveram divergências por meio de uma discussão que incluiu um terceiro autor. Eles não descrevem a avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos. Em última análise, eles incluíram 23 estudos com 14.342 pacientes com doenças reumatológicas: 7 resumos, 7 estudos transversais e 9 estudos longitudinais. Quinze dos estudos relataram a frequência do uso de cannabis e 5 estudos avaliaram os efeitos da dor ao longo do tempo. Entre os 15 estudos que relataram o uso de cannabis, 2.900 dos 10.873 (40,4% – Intervalo de confiança [IC] 95%: 0,28 a 0,54) pacientes relataram o uso em algum momento, mas 15% (IC 95%: 0,07 a 0,27) estavam em uso atualmente. Os autores apontam, no entanto, que apenas 5 estudos abordaram especificamente o uso de cannabis para analgesia ou para fins medicinais. Entre o subconjunto de 611 pacientes com fibromialgia, 68,2% relataram o uso de cannabis. Seis estudos (1.079 pacientes) relataram dor ao longo do tempo. Usando classificações visuais analógicas de dor (EVAD), o efeito final foi que o uso de cannabis foi associado a uma redução líquida de 1,75 da dor, embora o período não seja relatado. Este grau de redução da dor é clinicamente significativo.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

Os autores citaram não terem encontrado viés de publicação, nem a frequência do uso de cannabis antes ou depois das decisões governamentais para legalizar seu uso. Os estudos incluídos apresentaram muita heterogeneidade em praticamente todas as análises (Inconsistência – I2) acima de 80% em relação às características pessoais, como idade, consumo de tabaco, sexo e relação com emprego. Mesmo a redução líquida final de 1,75 na EVAD apresentou I2 de 52%. Muito se pode conversar sobre as relações entre a temporalidade das relações das associações encontradas. Ter encontrado maior consumo da Cannabis entre fumantes, pessoas com fibromialgia e com EVAD maiores não deixa claro se a relação era por fatores psicológicos, como ansiedade, ou pela dor em si.

Referências bibliográficas

M Guillouard, N Authier, B Pereira, M Soubrier, S Mathieu, Cannabis use assessment and its impact on pain in rheumatologic diseases: a systematic review and meta-analysis, Rheumatology, Volume 60, Issue 2, February 2021, Pages 549–556. https://doi.org/10.1093/rheumatology/keaa534. Disponível em: https://academic.oup.com/rheumatology/article-abstract/60/2/549/5960204?redirectedFrom=fulltext