USPSF 2020 recomenda rastrear para hepatite B adolescentes e adultos que estejam em risco

Questão Clínica

Profissionais que atuam na atenção primária devem rastrear infecção pelo vírus da hepatite B em adolescentes e adultos assintomáticos em risco, incluindo aqueles que foram previamente vacinados?

Resposta Baseada em Evidência

Nesta revisão atualizada em 2020, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) encontrou evidências suficientes para recomendar o rastreamento da infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) em adolescentes e adultos assintomáticos com risco aumentado, incluindo aqueles que foram previamente vacinados. Nesta revisão, considerou-se pessoas de risco aumentado para hepatite B aquelas nascidas em regiões com alta prevalência de infecção pelo VHB (prevalência igual ou superior a 8% para o CDC estadunidense), . Para o contexto dos EUA, também são considerados em risco aumentado os bebês não foram vacinados nascidos no país de pais que nasceram em regiões com alta prevalência da doença.

Curiosidade: esses grupos têm prevalência presumidamente >= 8%, ou é por outro motivo (digamos, incidência)?

Alertas

Contexto

Nesta revisão atualizada, encontrou-se evidências suficientes de que a terapia antiviral aumenta a probabilidade de se atingir a supressão virológica e a perda do antígeno de superfície da hepatite B, e de que não há riscos substanciais oriundos do rastreamento, embora não existam estudos robustos e controlados que avaliem os efeitos da triagem para infecção VHB.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

Em 2020, , sendo a menor taxa registrada no país na série histórica para a doença. Essas taxas são maiores em homens pardos e pretos de 35 a 39 e 50 a 54 anos das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do país. Os protocolos de rastreamento de hepatite B no Brasil não são rigorosamente definidos. O protocolo brasileiro mais recente se limita a dizer que “a testagem para hepatite B deve ser ofertada ou solicitada para todas as pessoas de maior vulnerabilidade ao agravo”. Em outros lugares, vê-se indicação de rastreamento em gestantes e pessoas de alto risco, como portadores de HIV e hepatite C; com comportamento sexual de risco; com elevação persistente de AST (TGO) ou ALT (TGP); e com história familiar de hepatite B crônica ou que vivem com portadores de hepatite B, o que se aproxima em muito das recomendações dos EUA. Consideramos, portanto, ser uma boa prática os profissionais incorporarem esse rastreamento em suas práticas, embora a frequência não esteja bem definida na literatura.

Referências bibliográficas

Weinbaum CM, Williams I, Mast EE, et al. Recommendations for identification and public health management of persons with chronic hepatitis B virus infection. MMWR Recomm Rep 2008; 57(RR-8):1-20. Disponível em: https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/rr5708a1.htm

Outros estudos:

Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico Especial: Hepatites Virais 2021. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/julho/26/boletim-epidemiologico-de-hepatite-2021.pdf

Duarte, Geraldo et al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: hepatites virais. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, n. spe1, e2020834. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ress/a/tdp58qj9X5WC6VfbQ3pxJpS/

Telessaúde RS. Telecondutas Hepatite B. Rio Grande do Sul: Telessaúde RS; 2020. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/Telecondutas_Hepatite_B_20190213_ver003.pdf.

US Preventive Services Task Force, Krist AH, Davidson KW, et al. Screening for hepatitis B virus infection in adolescents and adults. US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA 2020;324(23):2415-2422. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2774056