USPSTF encontra evidências insuficientes para recomendar o rastreamento de hipertensão arterial em crianças

Área Temática

Questão Clínica

Os médicos de família e comunidade devem rastrear crianças e adolescentes para hipertensão arterial?

Resposta Baseada em Evidência

Nesta revisão atualizada de 2020, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) encontrou evidências insuficientes para avaliar os benefícios e danos do rastreamento de hipertensão em crianças e adolescentes (recomendação I). Essas recomendações são consistentes com as recomendações de 2013 da USPSTF.

Alertas

Contexto

Esta revisão, a partir de dados de estudos observacionais, encontrou evidências de associação entre hipertensão arterial na infância e na idade adulta. No entanto, não encontrou evidências de benefícios na vida adulta do rastreamento ou do tratamento da hipertensão arterial na infância. Também avaliou que as evidências disponíveis não permitem analisar adequadamente os potenciais danos do rastreamento. Assim, a USPSTF estabeleceu nível de recomendação I para a prática, na medida em que os resultados não permitem estabelecer uma boa correlação entre benefícios e riscos e os estudos disponíveis terem problemas metodológicos e tempo de acompanhamento muito pequeno (6 meses, no máximo). Essa recomendação vai ao encontro do que a American Academy of Family Physicians também preconiza, e entra em conflito com as recomendações da American Academy of Pediatrics, da American Heart Association e do National Heart, Lung e Blood Institute, que recomendam o rastreamento a partir dos 3 anos de idade.

Comentários sobre a aplicabilidade do estudo para APS no contexto do SUS, sob o ponto de vista clínico, de gestão da saúde e para o público em geral

É importante os médicos e as médicas de família e comunidade acompanharem as evidências em torno do rastreamento da hipertensão arterial na infância e adolescência na medida em que rótulos precoces das crianças como hipertensas afetar a forma como os pais e as próprias crianças percebem seu grau de saúde, podendo levar a consequências indesejadas, como uso desnecessário de serviços, intervenções inadequadas e estresse psicológico. Com isso, fortalecemos a prevenção quaternária. Por outro lado, essas recomendações sobre a insuficiência das evidências disponíveis para a realização rotineira do rastreamento de hipertensão em crianças mostram a necessidade de atualizar os documentos ministeriais utilizados pela atenção primária brasileira, como é o caso do Caderno de Atenção Básica n. 33 de 2012 – que prevê a aferição de pressão arterial aos 3 e aos 6 anos de idade – e o Protocolo da Atenção Básica em Saúde da Criança de 2016 – que prevê aferição de pressão arterial a partir dos 4 anos de idade.

Referências bibliográficas

US Preventive Services Task Force, Krist AH, Davidson KW, et al. Screening for high blood pressure in children and adolescents. US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA 2020;324(18):1878-1883. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2772767