No âmbito da atenção primária, como deve ser a abordagem às gestantes adolescentes e usuárias de drogas?

A assistência às gestantes dependentes de álcool e outras drogas é complexa e exige competências técnicas e psicossociais dos profissionais de saúde, na qual a inserção de equipes multidisciplinares contribui para o fortalecimento e implementação de políticas públicas mais eficazes contra o uso de drogas na gestação, sendo recomendável considerar o contexto sociocultural que essa gestante está inserida, para a análise e intervenção aos riscos e vulnerabilidades sociais, juntamente com os devidos encaminhamentos para o pré-natal de alto risco e até mesmo para o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Outras Drogas (CAPS AD II ou III) por meio da articulação e mobilização da rede de atendimento existente no município ou região, que garantirá maior qualidade na assistência e promover condições que respeitem essas usuárias enquanto pessoa, possibilitando sua reinclusão social, profissional e familiar, ampliando as ações em saúde mental na sua intensidade e diversidade(1,2).

A abordagem deve primar também pelo fortalecimento do vínculo familiar, principalmente do vínculo mãe/filho, oferecendo condições para que essa adolescente possa exercer a maternidade e garantir a vivencia familiar para seu filho direcionando os cuidados e ações que serão desenvolvidas, atuando na linha da política de redução de danos, ou seja, minimizar os efeitos do consumo das drogas para a mãe e principalmente para o feto(1,2,3).

O uso de drogas caracteriza um sério problema de saúde pública em todo o mundo, especificamente quando as usuárias são gestantes, por esse motivo, tornam-se necessários processos educativos contínuos para que a gestante em especial, possa ser orientada sobre os efeitos e consequências do uso dessas substâncias para a saúde materna e fetal, como retardo de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta e aumento da incidência de rotura prematura de membranas. Além disso, a utilização das drogas durante a gestação pode causar abortamentos, mortalidade materna, natimortalidade e mortalidade neonatal(1,4). Dessa forma, a assistência pré-natal constitui-se em um momento relevante para prestar informações e investigar manifestações clínicas importantes na gestação, contribuindo para verificar as condições de saúde das gestantes e atender, de forma adequada, às suas necessidades relacionadas ao seu bem-estar(5). Assim, a disponibilização de orientações sobre os cuidados necessários nessa fase; bem como sobre a vinculação ao local do parto; a garantia de acesso qualificado a esse local e a um parto humanizado; a atenção à criança recém-nascida e a continuidade da atenção à mulher no puerpério pela Estratégia Saúde da Família (ESF), incluindo o planejamento reprodutivo pós-parto; as articulações intersetoriais necessárias de acordo com suas demandas, como o acompanhamento por serviços socioassistenciais, são importantes. Com efeito, é fundamental também que haja um trabalho de conscientização dessas gestantes para o autocuidado, visto que o uso da droga pode limitar a compreensão da importância de sua saúde e da saúde da vida em gestação(6).