Quais as evidências clínicas para a recomendação do fitoterápico de Alcachofra (Cynara scolymus L.) na APS?

Uma revisão sistemática da Cochrane indicou que o extrato das folhas de Alcachofra – Cynara scolymus L. tem potencial de diminuir os níveis de colesterol, porém, a evidência é pequena e os dados são limitados1. O fitoterápico pode ser classificado com grau de recomendação D, categoria de evidência IV para hipercolesterolemia leve a moderada e B III para dispepsia funcional.
Um outro ensaio clínico publicado após essa revisão2, demonstrou ação representativa sobre os lipídios plasmáticos e hipercolesterolemia. O consumo foi de 320 mg do extrato quatro vezes ao dia durante três meses, favoreceu o aumento do HDL, além de reduzir o colesterol total e LDL2. O provável mecanismo de ação ocorre por inibição da biossíntese de colesterol e da oxidação de LDL3.
Com relação à ação digestiva, em um estudo controlado com placebo realizado em voluntários com dispepsia, os pacientes que utilizaram 320mg do fitoterápico duas vezes ao dia durante seis meses obtiveram resultados de melhora global dos sintomas4.
A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais recomenda que Cynara scolymus L. seja prescrita para o tratamento dos sintomas de dispepsia funcional (síndrome do desconforto pós-prandial) e de hipercolesterolemia leve a moderada nas seguintes formas farmacêuticas:  cápsula, comprimido, drágea, solução oral, e/ou tintura5. Segundo a Instrução Normativa n.2/2014 a dose diária recomendada é de 24 a 48 mg do marcador químico (derivados de ácido cafeoilquínico expressos em ácido clorogênico)6. A posologia irá depender da quantidade de marcador químico presente no extrato, sendo assim, a mesma pode ser determinada pelo fabricante.
Contra indica-se o produto para pacientes com obstrução no ducto biliar. Deve-se ter cautela em pacientes com hepatite, falência e ou câncer hepático. Os efeitos adversos comuns são flatulências, fraqueza e sensação de fome7. Não há estudos clínicos que comprovem a segurança e eficácia em gestantes, lactantes e lactentes, por isso seu uso é contraindicado nessa população. Não foram encontradas informações sobre interações medicamentosas na literatura consultada.

As doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de trinta por cento das mortes no Brasil e estão associadas a altos níveis de colesterol circulante no plasma8. A Alcachofra é uma planta conhecida pela população brasileira e pode ser eventualmente utilizada para dispepsias, porém não há evidências consistentes que assegurem o uso crônico do fitoterápico no tratamento da hipercolesterolemia de forma isolada, nem em associação com outros medicamentos. Ressalta-se que a adoção de hábitos de vida saudáveis (principalmente alimentação e atividade física) é essencial no tratamento da hipercolesterolemia, assim como de outras patologias comuns e prevalentes na Atenção Primária à Saúde. SOF relacionadas:
  1. Quais as evidências para a recomendação da Cáscara Sagrada?
  2. Quais as evidências para o uso de Garra do Diabo na Atenção Primária à Saúde?
  3. Quais as evidências científicas para o uso do Guaco na Atenção Primária à Saúde?
  4. Quais as evidências clínicas para o uso de fitoterápicos a base de extrato de Unha de Gato na APS?
  5. Quais as evidências científicas para o uso da Espinheira Santa no tratamento de úlcera gástrica?
  6. O que é fitoterapia e como o ACS pode trabalhar este tema na comunidade?
  7. Como organizar rodas de conversa sobre plantas medicinais?