Qual o papel da Equipe de Saúde da Família frente ao paciente alcoólatra, hipertenso, diabético e resistente ao tratamento?

O paciente deve ser orientado quanto aos fatores de risco que influenciam o controle da hipertensão e da glicemia, ou seja, as mudanças no estilo de vida, o incentivo à atividade física, à redução do peso corporal quando acima do IMC recomendado, o abandono do tabagismo e redução do consumo de álcool, além da importância a adesão ao tratamento(1,2).

Encaminhar o paciente para consulta de enfermagem, onde receberá orientações sobre as medidas que comprovadamente reduzem a pressão arterial e controlam a glicemia, entre elas: hábitos alimentares adequados para manutenção do peso corporal e de um perfil lipídico desejável, estímulo à vida ativa e aos exercícios físicos regulares, redução da ingestão de sódio, redução do consumo de bebidas alcoólicas, redução do estresse e abandono do tabagismo. Essas indicações são importantes, pois já existem evidências do seu efeito na redução da pressão arterial, possuem baixo custo, ajudam no controle de fatores de risco para outros agravos, aumentam a eficácia do tratamento medicamentoso (necessitando de menores doses e de menor número de fármacos) e reduzem o risco cardiovascular (1,2).

O profissional deverá também construir junto com o paciente o plano de cuidado detalhando problemas, prioridades, objetivos e papéis, do ponto de vista da pessoa e do profissional, além de estabelecer metas. Lembrar que a prática do autocuidado são sustentados por três pilares ou grupos de problemas que se entrelaçam entre si, que são problemas de manejo clínico, mudanças necessárias de estilo de vida e problemas emocionais. Essa educação para o autocuidado pode ser realizada em grupo e/ou individualmente, sendo o trabalho em grupo muito útil, pois possibilita o desenvolvimento de habilidades para lidar com os momentos de desmotivação, aliviando as pressões e temores da pessoa e o agente comunitário pode atuar juntamente com a equipe nos grupos educacionais, aprendendo e dissipando o conhecimento sobre os assuntos tratados (3,4). Orientar também que o abuso de álcool pode trazer prejuízos aos tratamentos das doenças crônicas. Além dos efeitos da bebida em si, usuários que abusam de álcool costumam ter dificuldade para uso regular das medicações, fato estimulado pela crença de que após o consumo de álcool não se deve fazer uso delas. Na elaboração de planos de cuidados desses usuários, o uso adequado das medicações deve ser enfatizado, esclarecendo as dúvidas e os reais riscos à saúde do uso e do não uso das medicações. Importante ressaltar que episódios de consumo excessivo de álcool podem levar a descompensações agudas das doenças crônicas, sendo fundamental avaliar nesses casos a pressão arterial e a glicemia desses usuários, pois podem ocorrer alterações significativas que necessitam de intervenções clínicas. Estratégias de prevenção e controle do uso excessivo do álcool podem ser desenvolvidas no âmbito da Atenção Básica (3). Enfatizar para o paciente que o estilo de vida é claramente um dos maiores responsáveis pelo adoecimento e pela alta prevalência das doenças crônicas (3).