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Quais os efeitos adversos mais comuns decorrente do uso cloridrato de amitriptilina comparada com a nortriptilina?

| 10 mai 2017 | ID: sof-36515
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Os efeitos adversos mais frequentes do cloridrato de amitriptilina comparado com a nortriptilina é o ganho de peso. O ganho de peso é um efeito adverso comum decorrente do uso do cloridrato de amitriptilina, o que não é descrito entre os efeitos adversos comum da nortriptilina segundo o “Micromedxsolutuions – Drug Comparison Results1. Muitos pacientes interrompem o tratamento por este motivo. Mesmo o ganho de peso sendo mais frequente nos usuários de amitriptilina, esse efeito adverso não é suficiente para abandono do tratamento. Já com o uso da nortriptilina, há um maior abandono de tratamento em função dos efeitos adversos anticolinérgicos, tais como boca seca e retenção urinária2:199 comparado com o desconforto do ganho de peso.

Entretanto, há outras reações adversas decorrente do uso da amitriptilina consideradas muito comuns (ocorre em 10% dos pacientes que utilizam este medicamento), tais como: xerostomia (boca seca), sonolência, tontura, alteração do paladar, aumento do apetite, cefaleia, visão turva, dificuldade de concentração e prisão de ventre. Podem ocorrer, também, reações de hipersensibilidade como coceira, urticária, erupções cutâneas e inchaço da face e/ou da língua. Todas essas reações podem causar dificuldade de respiração ou de deglutição (engolir). Contudo, as similaridades farmacológicas entre amitriptilina e nortriptilina requerem que cada uma das reações acima discriminadas possam ocorrer quando for administrado um desses dois antidepressivos tricíclico (ADT)3

Os diferentes antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, clomipramina, desipramina, imipramina, nortriptilina e doxepina) têm eficácia semelhante para a maioria dos pacientes, variando em relação ao perfil de efeitos colaterais e potencial de interação com outros medicamentos4. Os seus efeitos colaterais representam a principal desvantagem de uso dos antidepressivos tricíclicos. Além da sua ação sobre o transporte de monoaminas, os ADTs são capazes de interagir com receptores adrenérgicos (α1), muscarínicos (M) e histamínicos (H1). O antagonismo destes receptores leva à uma série de efeitos colaterais que incluem:

1. efeitos cardiovasculares (i.e. hipotensão ortostática, taquicardia sinusal e prolongamento variável da condução cardíaca com riscos de desenvolvimento de arritmias, principalmente com overdoses);

2. efeitos antimuscarínicos (boca seca, desconforto epigástrico, constipação, retenção urinária, taquicardia, tontura, palpitações e borramento visual);

3. efeitos antihistamínicos (aumento do apetite e sedação). Por estes motivos seu uso deve ser feito com cautela, principalmente em pacientes idosos, e em indivíduos com doença cardíaca isquêmica ou risco aumentado de arritmias e morte súbita cardíaca deve ser evitado5.

A prescrição medicamentosa isolada não é suficiente para o tratamento ideal tendo em vista suas características multifatoriais do usuário8. Portanto, destaca-se a importância de atendimentos individuais ou grupo, centrado na pessoa, para orientação/apoio de práticas regulares de exercícios físicos, alimentação saudável, mudanças de estilo de vida e inserção de outras práticas em saúde (por exemplo, psicoterapia, massagem, acupuntura, fitoterapia, homeopatia como práticas complementares)9 ao tratamento medicamentoso para maior adesão e melhores resultados em curto prazo8. Sugere-se, também, incorporar uma abordagem interdisciplinar e integral, buscando o apoio da equipe NASF, para cuidado longitudinal por meio de discussão dos casos e projeto terapêutico singular com a inclusão de estratégias não-farmacológicas com participação ativa do usuário8.

Bibliografia Selecionada

1 – Micromedxsolutuions. Drug Comparison Results. Comparação dos efeitos adversos entre amtriptilina e nortriptilina. Disponível em: http://www.micromedexsolutions.com/micromedex2/librarian/PFDefaultActionId/evidencexpert.ShowDrugCompareResults  [acessado em 28 nov 2016]

2 – Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas : volume 3, 2014; 195-210. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Livros/LivroPCDT_VolumeIII.pdf   [acessado em 28 nov 2016]

3 – Well BG et al. Manual de farmacoterapêutica. 9 ed. Artmed : São Paulo, 2016; p. 622.

4 – Fleck MP. Revisão das diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão. Rev Bras Psiquiatr. 2009;31(Supl I):S7-17 . Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v31s1/a03v31s1.pdf

5 – Medawar, Camile Valle; Matheus, Maria Eline. Antidepressivos Tricíclicos e Gabapentinóides: uma análise do perfil farmacológico no tratamento da dor neuropática. Rev. Bras. Farm. 93(3): 290-297, 2012. Disponível em: http://www.rbfarma.org.br/files/rbf-2012-93-3-4.pdf

6 – Brasil. BVS APS Atenção Primária à Saúde. Telessaúde Brasil Redes. Como identificar sinais e sintomas de depressão durante a visita do Agente comunitário de Saúde? 2009. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/como-identificar-sintomas-de-depressao-durante-a-visita-do-agente-comunitario-de-saude/

7 – Brasil. BVS APS Atenção Primária à Saúde. Telessaúde Brasil Redes. Paciente com depressão que obteve controle do quadro com uso de amitriptilina 25mg/dia tem necessidade de aumento da dose para um mínimo de 75mg/dia? 2009. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/paciente-com-depressao-que-obteve-controle-do-quadro-com-uso-de-amitriptilina-25mgdia-tem-necessidade-de-aumento-da-dose-para-um-minimo-de-75-mgdia/

8 – Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde mental / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2013. 176 p. : il. (Cadernos de Atenção Básica, n. 34). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_34.pdf