Quais as evidências para o uso de Garra do Diabo na Atenção Primária à Saúde?

Alguns ensaios clínicos comprovaram a ação anti-inflamatória da planta Harpagophytum procumbens, conhecida popularmente como Garra do diabo2,3,4, seu uso é recomendado para o tratamento da dor lombar baixa aguda e como coadjuvante nos casos de osteoartrite1. A melhora da dor por osteoartrite de punho, cotovelo, ombro, quadril e joelho foi significativa, sendo que 60% das pessoas que utilizaram o extrato da planta reduziram ou pararam a medicação utilizada para dor2. Outros dois estudos demonstraram a eficácia do fitoterápico no tratamento de osteoartrite de joelho e quadril, resultando em eficácia equivalente a Diacerína, reduzindo a necessidade de terapia analgésica e anti-inflamatória3,4. O fitoterápico apresenta ação anti-inflamatória devido ao provável mecanismo de inibição da síntese de prostaglandinas.

Harpagophytum procumbens é reconhecida pela Normativa no2, de 13 de maio de 20145, como um fitoterápico tradicional de registro simplificado, demonstrando sua eficácia e segurança por meio de estudos técnico científicos que relatam a utilização da planta pela população durante trinta anos ou mais. O extrato é realizado a partir das raízes da planta e deve ser padronizado em harpagosídeos (marcador químico) e incorporado nas formas farmacêuticas de cápsula e comprimido. A dose diária recomendada é de 30 a 100 mg de harpagosídeo ou 45 a 150 mg de iridoides totais expressos em harpagosídeos. A posologia é definida pelo fabricante de acordo com a forma farmacêutica e a quantidade do marcador químico em cada cápsula ou comprimido. É importante ressaltar que Harpagophytum procumbens é uma planta que consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e pode auxiliar na redução do consumo de antinflamatórios e analgésicos em pacientes com osteoartrite3,4. Sugere-se que a utilização desse fitoterápico possa atuar reduzindo danos ocasionados pelo consumo exacerbado dessas medicações, de maneira eficaz e com menos frequência de efeitos adversos quando comparada ao tratamento convencional. Plantas medicinais utilizadas tradicionalmente, e que possuam evidências clínicas contra problemas comuns e de grande relevância na Atenção primária à saúde auxiliam na prevenção de agravos, restauração e manutenção da saúde, contribuindo para a integralidade da atenção. SOF relacionadas:
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