Quais os efeitos adversos mais comuns decorrente do uso cloridrato de amitriptilina comparada com a nortriptilina?

Os efeitos adversos mais frequentes do cloridrato de amitriptilina comparado com a nortriptilina é o ganho de peso. O ganho de peso é um efeito adverso comum decorrente do uso do cloridrato de amitriptilina, o que não é descrito entre os efeitos adversos comum da nortriptilina segundo o “Micromedxsolutuions – Drug Comparison Results1. Muitos pacientes interrompem o tratamento por este motivo. Mesmo o ganho de peso sendo mais frequente nos usuários de amitriptilina, esse efeito adverso não é suficiente para abandono do tratamento. Já com o uso da nortriptilina, há um maior abandono de tratamento em função dos efeitos adversos anticolinérgicos, tais como boca seca e retenção urinária2:199 comparado com o desconforto do ganho de peso.

Entretanto, há outras reações adversas decorrente do uso da amitriptilina consideradas muito comuns (ocorre em 10% dos pacientes que utilizam este medicamento), tais como: xerostomia (boca seca), sonolência, tontura, alteração do paladar, aumento do apetite, cefaleia, visão turva, dificuldade de concentração e prisão de ventre. Podem ocorrer, também, reações de hipersensibilidade como coceira, urticária, erupções cutâneas e inchaço da face e/ou da língua. Todas essas reações podem causar dificuldade de respiração ou de deglutição (engolir). Contudo, as similaridades farmacológicas entre amitriptilina e nortriptilina requerem que cada uma das reações acima discriminadas possam ocorrer quando for administrado um desses dois antidepressivos tricíclico (ADT)3 Os diferentes antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, clomipramina, desipramina, imipramina, nortriptilina e doxepina) têm eficácia semelhante para a maioria dos pacientes, variando em relação ao perfil de efeitos colaterais e potencial de interação com outros medicamentos4. Os seus efeitos colaterais representam a principal desvantagem de uso dos antidepressivos tricíclicos. Além da sua ação sobre o transporte de monoaminas, os ADTs são capazes de interagir com receptores adrenérgicos (α1), muscarínicos (M) e histamínicos (H1). O antagonismo destes receptores leva à uma série de efeitos colaterais que incluem: 1. efeitos cardiovasculares (i.e. hipotensão ortostática, taquicardia sinusal e prolongamento variável da condução cardíaca com riscos de desenvolvimento de arritmias, principalmente com overdoses); 2. efeitos antimuscarínicos (boca seca, desconforto epigástrico, constipação, retenção urinária, taquicardia, tontura, palpitações e borramento visual); 3. efeitos antihistamínicos (aumento do apetite e sedação). Por estes motivos seu uso deve ser feito com cautela, principalmente em pacientes idosos, e em indivíduos com doença cardíaca isquêmica ou risco aumentado de arritmias e morte súbita cardíaca deve ser evitado5. A prescrição medicamentosa isolada não é suficiente para o tratamento ideal tendo em vista suas características multifatoriais do usuário8. Portanto, destaca-se a importância de atendimentos individuais ou grupo, centrado na pessoa, para orientação/apoio de práticas regulares de exercícios físicos, alimentação saudável, mudanças de estilo de vida e inserção de outras práticas em saúde (por exemplo, psicoterapia, massagem, acupuntura, fitoterapia, homeopatia como práticas complementares)9 ao tratamento medicamentoso para maior adesão e melhores resultados em curto prazo8. Sugere-se, também, incorporar uma abordagem interdisciplinar e integral, buscando o apoio da equipe NASF, para cuidado longitudinal por meio de discussão dos casos e projeto terapêutico singular com a inclusão de estratégias não-farmacológicas com participação ativa do usuário8.